Carga aérea mundial decola 6%, mas Oriente Médio despenca 9%
07/07/2026 - Transporte aéreo
Demanda de carga aérea registra crescimento de 6% anual em maio, com África e Ásia puxando alta, enquanto Oriente Médio recua e rotas ao Golfo caem

Avião cargueiro

Associação do Transporte Aéreo Internacional (IATA) divulgou os números do mercado global de carga aérea para maio de 2026, que apontam para um crescimento de 6,0% na demanda em relação ao mesmo período do ano anterior, quando considerado o indicador tonelada-quilômetro de carga (CTK). No recorte internacional, a alta chegou a 6,5%. Paralelamente, a capacidade ofertada (ACTK) avançou 1,9% na base anual, ou 2,8% considerando exclusivamente operações internacionais.

O desempenho geral do setor no quinto mês do ano mostra um avanço sustentado, embora com contrastes regionais expressivos. As operadoras da África lideraram o crescimento entre as regiões, com expansão de 13,3% na demanda, seguidas pelas da América do Norte (+10,5%) e Ásia-Pacífico (+8,0%). As europeias anotaram alta de 6,7%, enquanto as da América Latina e Caribe cresceram 1,9%. Na contramão, as transportadoras do Oriente Médio registraram contração de 8,9% na demanda, com a capacidade também recuando 9,2% – o pior desempenho entre todos os mercados regionais, atribuído pela IATA aos impactos diretos e indiretos do conflito em curso na região.

A leitura do diretor-geral da IATA, Willie Walsh, é de cautela moderada. “O forte desempenho em maio, aliado aos fatores macroeconômicos, gera cautela otimista em relação às perspectivas da carga aérea para o restante do ano“, afirmou. Walsh destacou o crescimento simultâneo do comércio e da produção industrial como vetores positivos, bem como a capacidade das companhias aéreas de reconfigurar operações para atender às mudanças nos padrões de demanda e às exigências das cadeias de suprimentos. Ele também mencionou que o aumento das tarifas e os índices de ocupação mais elevados têm ajudado a mitigar a pressão dos custos de combustível, embora o cenário siga desafiador diante das incertezas geopolíticas.

A análise do ambiente operacional revela fatores estruturais que sustentam a demanda. O comércio global acumula 25 meses consecutivos de crescimento anual, com alta de 5,0% em maio. Os preços do querosene de aviação caíram 16,3% em relação a abril, mas ainda estão 93,5% acima do patamar de maio de 2025. Pelo lado da atividade industrial, o Índice Global de Gerentes de Compras (PMI) para Produção Industrial avançou para 53,5 pontos, indicando expansão, enquanto o subíndice de Novos Pedidos de Exportação permaneceu em 49,6 – abaixo do limiar de 50 pontos –, o que sugere que o crescimento da carga aérea em maio foi puxado por fluxos comerciais específicos e não por uma recuperação generalizada das exportações globais.

Do ponto de vista das rotas comerciais, a divergência regional fica ainda mais evidente. O corredor Ásia-América do Norte liderou com expressiva alta de 19,9% na demanda anual, acumulando quatro meses consecutivos de crescimento e respondendo por 23,5% do mercado global de CTK. África-Ásia avançou 14,1%, intra-Europa cresceu 11,5% e Europa-Ásia registrou alta de 10,0%, com 39 meses seguidos de expansão. Em posição oposta, as rotas que envolvem o Oriente Médio seguiram em forte contração: Europa-Oriente Médio recuou 19,8% e Oriente Médio-Ásia caiu 16,5%, ambas com três meses consecutivos de queda. Já o corredor Europa-América do Norte praticamente estabilizou, com crescimento marginal de 0,4% em maio.

Os dados consolidados reforçam um quadro de demanda resiliente para a carga aérea global, mas com a persistência de assimetrias regionais e vulnerabilidades geopolíticas que seguem moldando a dinâmica do setor. A trajetória dos próximos meses dependerá, em boa medida, da evolução dos conflitos no Oriente Médio e da sustentação dos indicadores macroeconômicos globais.