Pesquisa revela os rumos do Supply Chain em 2026
07/05/2026 - Destaque
Com dados de mais de 130 profissionais, estudo do Procurement Club destaca as prioridades para os operadores logísticos

Maíra Rossi, diretora de Relacionamento do Procurement Club

Procurement Club, organização focada em antecipar tendências e conectar os stakeholders ao dia a dia dos profissionais de Compras e Supply Chain (cadeia de suprimentos), apresenta os resultados da sua Pesquisa de CPOs & CSCOs 2026. O estudo, que ouviu 133 respondentes, sendo 95% atuantes na América Latina e 89% diretamente ligados ao Supply Chain, traça um panorama detalhado para o próximo ano. A amostra é majoritariamente composta por gerentes e diretores (79%), além de executivos C-level e fundadores, representando setores como indústria, tecnologia, serviços corporativos, saúde, consumo, varejo e infraestrutura.

A conclusão central é que a agenda de Procurement e Supply Chain em 2026 será marcada por uma forte pressão por eficiência, seletividade nos investimentos, fortalecimento da governança e uma busca intensa por produtividade, tendo como principais aliadas a automação e as ferramentas de analytics.

O levantamento indica um setor que se tornou mais estratégico, mas que ainda enfrenta limitações estruturais significativas para avançar em escala com a inteligência artificial. Quando questionadas sobre as prioridades para 2026, as empresas colocaram o atingimento de metas financeiras no topo da lista, com 21% das respostas. Em seguida, aparecem a capacitação e a evolução do perfil da equipe (14%) e a digitalização de processos de Supply Chain (12%). Esses dados reforçam uma agenda menos focada em grandes transformações disruptivas e mais orientada à captura de valor, à disciplina operacional e ao retorno tangível sobre os investimentos realizados.

Um dos pontos de atenção destacados pela pesquisa é o descompasso entre o avanço do debate sobre inteligência artificial e a real maturidade operacional das empresas. Segundo o estudo, 47% das organizações ainda precisam resolver lacunas fundamentais em seus processos e na qualidade dos dados antes de qualquer avanço consistente com IA em Supply Chain. Além disso, 56% dos respondentes classificam como baixo o atual nível de interconexão entre IA, sistemas e processos, descrevendo um cenário onde as aplicações ainda são isoladas e dependem frequentemente de intervenção humana.

Na avaliação de Maíra Rossi, diretora de Relacionamento do Procurement Club, o panorama revela um setor em plena transição. “A pesquisa mostra que 2026 será menos definido pela quantidade de iniciativas e mais pela capacidade de priorizar o que realmente gera resultado. O Procurement e o Supply Chain estão mais pressionados por eficiência, mas também mais conscientes de que produtividade sustentável depende de fundamentos bem resolvidos, como processos, dados, governança e pessoas.”

Os resultados também demonstram que a tecnologia não é a única frente crítica na agenda dos líderes. Em gestão de pessoas, os dados apontam que a retenção de talentos está mais associada à experiência do colaborador como um todo do que a benefícios isolados. Um ambiente de trabalho positivo e psicologicamente seguro, o reconhecimento profissional e o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional aparecem entre os fatores mais valorizados, figurando à frente até mesmo da flexibilidade de trabalho. “Esse é um sinal importante de maturidade do setorEm áreas pressionadas por volatilidade, transformação e cobrança por entrega, liderança, confiança e comunicação clara deixam de ser atributos desejáveis e passam a ser fatores concretos de retenção, engajamento e execução”, analisa Maíra.

Operação

Do ponto de vista operacional, a automação, o analytics e as ferramentas digitais lideram como a principal alavanca percebida de eficiência para 2026, com 37% das menções. Já entre os KPIs que devem concentrar o maior esforço das empresas no próximo ano, destacam-se o controle de custos, savings e eficiência logística, com 31% das respostas, seguidos por automação e produtividade com IA (21%) e gestão de risco da cadeia e performance de fornecedores (15%).

Aliás, a relação com os fornecedores, por sua vez, ganha um novo e importante peso estratégico. O estudo aponta o avanço de uma lógica menos transacional e mais orientada à colaboração, reputação, flexibilidade e ganhos mútuos. Paralelamente, temas como compliance, risco regulatório e arquitetura de dados se consolidam como habilitadores fundamentais da agenda de eficiência e inovação. “Há uma mudança importante em curso, pois Procurement e Supply Chain deixam de ocupar apenas um papel de controle de custo e passam a responder por temas como resiliência, risco, governança e criação de valor. A pesquisa mostra um setor mais sofisticado, mas também mais desafiado a fazer escolhas com mais foco e consistência”, finaliza a executiva.