Armazéns modulares sob medida driblam a rigidez da construção civil
06/05/2026 - Centro de distribuição
Com a rigidez normativa das edificações convencionais, a Reconlog consegue levar segurança e flexibilidade para as operações que não podem perder tempo

Maquete de galpão da Reconlog exposto na Intermodal 2026

No universo da logística e da indústria, imprevistos e necessidades de expansão temporária frequentemente esbarram em um mesmo obstáculo: a rigidez das construções civis convencionais. Foi justamente para solucionar esse gargalo que a Reconlog desenvolveu uma linha própria de galpões modulares, combinando engenharia ativa, padronização de componentes e flexibilidade operacional.

Em entrevista à Frota&Cia, Fábio Maioli, diretor Comercial da empresa, detalhou como a abordagem personalizada tem transformado desafios logísticos em cases de sucesso em setores que vão da mineração à celulose, passando por operações portuárias e ferroviárias.

A grande virada, segundo o executivo, veio ao identificar que o mercado trabalhava com estruturas estáticas e pouco adaptáveis. “O que existia antigamente não era modular, sendo muito estático, muito tradicional. Nós padronizamos uma linha porque cada empresa tinha uma medida diferente. Criamos uma linha de produção contínua com suplementos, onde as peças se falam em torno de 90%. Um galpão nosso que está em Manaus, na Argentina ou no Rio Grande do Sul utiliza a mesma peça. Isso facilita enormemente a logística de atendimento”, explica Maioli.

Fábio Maioli Reconlog
Maioli: Formato do negócio permite grande flexibilidade para o atendimento de clientes das áreas de logística, mineração, industrial e outras.

Essa compatibilidade de componentes não apenas reduz custos de reposição como também acelera a montagem e desmontagem, característica essencial para estruturas provisórias que precisam responder rapidamente a mudanças operacionais. Ao contrário de uma edificação civil tradicional, que exige demolição e novas aprovações municipais, os galpões da Reconlog são classificados como bens móveis, permitindo realocação integral e prazos de ocupação totalmente flexíveis.

Um dos diferenciais técnicos mais relevantes é o atendimento rigoroso às normas brasileiras, especialmente no que se refere à segurança contra incêndios e à NBR de estruturas provisórias. A empresa incorporou contensões para evitar vazamentos, proteções frontais contra soltura de bombas, sistemas de ventilação, linha de vida e contingência para embarque de água ou até para produção de papel. “Tenho um galpão em Minas Gerais, de certa forma mais pesado, mas também um corpo mais tranquilo que atende a norma”, complementa o diretor, destacando que a aparência pode ser de lona, mas a funcionalidade segue os mesmos parâmetros de uma construção definitiva.

Rapidez

A agilidade na implantação é outro pilar estratégico. De acordo com Fábio Maioli, uma vez assinado o contrato, a empresa tem um SLA (Service Level Agreement/Acordo de Nível de Serviço) de cinco dias para iniciar os trabalhos, e a média de montagem é de mil metros quadrados por semana. Em situações de maior urgência, a equipe chega a operar em três turnos, como ocorreu em um projeto recente que demandou quatro meses de trabalho intenso.

Clientes

Essa velocidade foi determinante em um dos cases mais emblemáticos da empresa, realizado em Santos. Tratava-se de um trecho de embarque com uma linha aérea ferroviária. Com a ocorrência de chuvas, parte da linha aérea foi danificada, interrompendo as operações. A Reconlog projetou e entregou galpões que funcionaram como “pulmões” para viabilizar o embarque de cargas nos navios, respeitando todos os padrões exigidos pela companhia ferroviária. “O balcão chegou a ter 329 metros de comprimento, cobrindo todos os pontos de embarque. Foram três passaportes e quatro ramais dentro do mesmo balcão. São soluções que a gente vai atrás, totalmente customizadas de acordo com a necessidade”, orgulha-se Maioli.

Outro caso notável ocorreu no setor de mineração, onde a empresa construiu um galpão com pé-direito de 18 metros, medindo 30 por 20 metros, instalado no interior de uma unidade mineradora. A estrutura foi utilizada para manutenção de subestações e dos caminhões gigantes que circulam nas estradas internas. “É um galpão atípico porque é muito alto, está dentro de um prédio e ainda tem água e terra radiada”, descreve o diretor, evidenciando a capacidade de adaptação a ambientes agressivos e confinados.

Galpões da ReconlogJá no cinturão do aço, a Reconlog ergueu o maior galpão modular do Brasil, com 40 metros de largura por 370 metros de comprimento, destinado a armazenar produtos para abastecer toda a região Sul do país. “Estamos falando de operações logísticas, mineração, transporte ferroviário, indústria, celulose. Não há um mercado que a gente não consiga atender”, afirma Maioli, ressaltando que a devoção da empresa é entender profundamente a necessidade de cada cliente.

A filosofia da Reconlog vai além da oferta de produtos prontos. “Temos uma engenharia de mercado. O cliente traz a necessidade e nós vamos trabalhar isso internamente para solucionar o problema dele”, explica Fábio Maioli. Isso inclui situações em que o espaço físico existente impõe limitações severas, como colunas que não podem ser removidas ou pisos que interferem na operação. “Você mata a operação do cliente e às vezes até o prédio. Não há operação livre. Então a empresa tira o piso, o telhado, faz essa adaptação de mercado”, detalha. A capacidade de customização também se estende a projetos que exigem portas de emergência em locais improvisados e tratamentos especiais de segurança, sempre alinhados às normas municipais e estaduais.

O modelo de negócio, por sua vez, é tão flexível quanto as estruturas. A contratação pode ser adaptada conforme a conveniência de cada cliente, sendo que a localização dos galpões é um dos principais ativos estratégicos.

E quanto à pergunta inevitável, se “as estruturas são sempre provisórias ou podem se tornar permanentes?”, o diretor esclarece que “o contrato é temporário e não existe nenhuma regra que determina um período de saída. Por ser uma estrutura provisória, você consegue desmontá-la de um lugar e levar para outro, ao contrário do crédito civil, que exige demolição e nova aprovação na prefeitura. Temos essa facilidade. Ele não é classificado como uma estrutura física fixa, mas te dá essa cultura flexível para apresentação. É um prazo aleatório”, ilustra Maioli.

Ao mercado, o executivo da Reconlog deixa o recado de que o conceito de atuação da empresa é capaz de atender desde a indústria pesada até operações logísticas complexas, por exemplo. Se trata de uma possibilidade técnica e ágil para empresas que não podem parar. “A única diferença, pensando bem, é a aparência que muda. Mas a norma é a mesma. O sentido de atender é o mesmo”, finaliza MAioli.