Diesel dispara até 15% no Brasil após escalada do conflito no Oriente Médio
13/03/2026 - Combustíveis

Diesel dispara até 15% no Brasil após escalada da guerra

O preço do diesel voltou a subir com força no Brasil nas últimas semanas, refletindo os impactos da escalada do conflito no Oriente Médio sobre o mercado internacional de energia. Dados da fintech de pagamentos para frotas TruckPag mostram que o aumento já começa a afetar diretamente os custos das transportadoras e a logística de abastecimento no país.

Levantamento baseado em transações reais de abastecimento registradas pela plataforma aponta que, entre 28 de fevereiro e 7 de março, o diesel S10 teve alta média nacional de R$ 0,48 por litro, o equivalente a 8,43% em apenas oito dias. Em alguns estados, os aumentos chegaram a R$ 0,87 por litro no período.

Além da pressão interna, o mercado brasileiro ainda apresenta uma diferença significativa em relação aos valores globais. De acordo com a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a defasagem do diesel no Brasil pode chegar a 58% em comparação com o preço internacional, o que aumenta o risco de novos reajustes.

Alta do diesel acelerou em poucos dias

Os dados monitorados pela TruckPag indicam que o movimento de alta se intensificou rapidamente ao longo da primeira semana de março. O preço médio transacionado evoluiu da seguinte forma:

  • 28 de fevereiro: R$ 5,73

  • 4 de março: R$ 5,85 (primeiro repasse mais forte)

  • 6 de março: R$ 6,10

  • 7 de março: R$ 6,22 por litro

A sequência de aumentos reflete o repasse gradual das pressões internacionais para o mercado interno, movimento que tende a impactar diretamente o setor de transporte rodoviário de cargas, altamente dependente do diesel.

Estados registram aumentos acima de 15%

O levantamento também mostra que algumas regiões sofreram impactos ainda mais expressivos no preço efetivamente pago pelas transportadoras. Entre os estados com maiores altas estão:

  • Bahia: +R$ 0,87 por litro (+15,07%)

  • Tocantins: +R$ 0,77 (+13,21%)

  • Alagoas: +R$ 0,66 (+11,23%)

  • Pernambuco: +R$ 0,64 (+11,23%)

  • Maranhão: +R$ 0,60 (+10,53%)

Segundo especialistas do setor, variações regionais costumam ocorrer devido à logística de distribuição, distância das refinarias e disponibilidade de produto nos postos.

Transportadoras já enfrentam dificuldades para abastecer

Além do aumento nos preços, os dados operacionais captados pela TruckPag indicam que a pressão no mercado também começa a afetar a rotina das transportadoras. Entre os efeitos observados estão o volume financeiro 7,4% maior nas transações de abastecimento na comparação semanal; alta média de cerca de 8% no custo do diesel para frotas; relatos de dificuldade de compra e cotas limitadas de combustível em algumas regiões; espera de até 8 horas para abastecimento em postos no Paraná e cancelamento de pedidos de combustível, como um caso de 15 m³ em Cuiabá

O cenário acende um alerta para o transporte rodoviário de cargas, responsável por movimentar cerca de 65% das mercadorias no Brasil. Qualquer aumento no preço do diesel tende a se refletir rapidamente nos custos logísticos e, consequentemente, nos preços de produtos transportados.

Problema mundial

Nesta manhã da quarta-feira, os  32 países-membros da Agência Internacional de Energia (AIE) concordaram  em disponibilizar 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas de emergência justamente para combater essa alta do preço do combustível por conta da guerra. Isso é histórico, já que é a maior liberação de reservas já feita por esses países. Antes disso, o recorde era de menos da metade (182 milhões de barris) durante a guerra da Ucrânia, em 2022.

Todo esse problema acontece porque o Estreito de Ormuz, rota por onde passa 20% do petróleo e gás natural de todo mundo foi bloqueado após uma série de ataques.

Aumento do preço do frete

A FETCESP publicou uma nota sobre esse aumento do diesel, sinalizando que o aumento do preço do frete será inevitável.

“Os fretes praticados pelas empresas do TRC, segundo apuração da NTC&Logística e divulgado pelo CONET – Conselho Nacional de Estudos Tarifários, realizado em 26 de fevereiro, apresentava defasagem média de 10%, isso antes da irrupção do conflito do Oriente Médio, que em uma semana já tem provocado a elevação dos preços do petróleo de até 80%, e no Brasil a elevação do diesel , em alguns postos, tem chegado até a 20% em algumas regiões do País.

A FETCESP está atuando, junto às entidades do setor, no sentido de avaliar qual o impacto dos aumentos do preço do óleo diesel no custo do frete, nas diversas modalidades do transporte rodoviário de cargas, buscando informação que esclareça o empresário para o imediato repasse dos custos do diesel ao frete praticado.

O repasse imediato dos aumentos do diesel para o preço do frete será a consequência natural. Todos repassam o aumento dos seus custos.