Scania navega por crise cambial com retomada de pedidos na Europa
05/03/2026 - Economia
Com carteira de pedidos em alta de 14% no ano, montadora sueca enfrenta câmbio adverso e mantém liderança europeia

Scania Next Era

Scania encerrou o exercício de 2025 com resultados que refletem os ventos contrários da economia global, mas também a capacidade de execução estratégica em meio à turbulência. A fabricante sueca de veículos pesados, controlada pelo grupo Traton, registrou uma queda de 8% na receita líquida de vendas, que totalizou SEK 198,5 bilhões – equivalentes a 18.550.664.655,00 de euros ou R$ 113.932.727.400,00 – (ante SEK 216,1 bilhões em 2024). O retorno ajustado sobre as vendas foi de 10,7%, abaixo dos 14,8% do ano anterior, em um período marcado por instabilidade geopolítica, incertezas de mercado e um desfavorável fator cambial.

Apesar da contração, a companhia conseguiu manter sua posição de liderança na Europa, sustentada por prazos de entrega reduzidos e pela forte aceitação da linha de trens de força Super. A participação da Scania no mercado de caminhões pesados europeu atingiu 17,6% em 2025, ganho de tração em um cenário de demanda em normalização após os níveis recordes de 2024.

Os dados divulgados mostram que, embora as entregas tenham recuado 8% no ano, para 94.073 veículos, a carteira de pedidos apresentou um fôlego significativo, sendo que as novas encomendas cresceram 14% em relação ao ano anterior, totalizando 92.351 unidades. O quarto trimestre foi particularmente animador para a gestão, com um aumento de 9% nos pedidos (26.704 unidades) em comparação com o mesmo período de 2024, sinalizando uma retomada da confiança dos clientes na Europa.

Estou orgulhoso de como navegamos em um ano desafiador. O aumento na captação de pedidos no quarto trimestre é um sinal encorajador da crescente confiança dos clientes e da força da nossa oferta“, afirmou Christian Levin, presidente e CEO da Scania.

Desafios

A queda na receita e na rentabilidade é atribuída principalmente a três fatores, incluindo o menor volume de entregas de veículos, os custos relacionados à estruturação industrial na China e uma valorização atípica da coroa sueca. A moeda local se fortaleceu significativamente ao longo do ano, corroendo os resultados das operações internacionais. Apenas no quarto trimestre, o retorno sobre as vendas foi de 11,0%, mas teria atingido 13,5% se mantidas as taxas de câmbio do quarto trimestre de 2024.

Do lado positivo, o negócio de serviços mostrou resiliência, ajudando a amortecer o impacto da queda nas vendas de veículos novos. A geração de caixa no último trimestre do ano foi robusta, reflexo dos esforços contínuos da administração para reduzir custos estruturais e ganhar eficiência de fluxo.

Aposta no Elétrico e na China

Em termos estratégicos, 2025 foi um ano de consolidação de projetos de longo prazo. A Scania deu passos largos em sua transformação industrial, com investimentos contínuos em eletrificação e soluções de recarga. As entregas de veículos de emissão zero (ZEV) mais que dobraram, saltando de 266 unidades em 2024 para 602 no ano passado. Só nos últimos três meses do ano, foram entregues 222 unidades, contra 77 no quarto trimestre de 2024.

A companhia também avançou na estruturação de sua presença na China, mercado visto como vital para inovação e crescimento futuro, e implementou uma simplificação em sua estrutura organizacional para se adaptar às novas condições de mercado. Outro marco foi o lançamento da organização de P&D compartilhada do Grupo Traton, desenhada para acelerar a inovação mantendo o foco nas necessidades dos clientes.

Sustentabilidade

No front ambiental, a Scania publicou seu primeiro Demonstrativo de Sustentabilidade em conformidade com os padrões europeus (European Sustainability Reporting Standards). A empresa celebrou ter superado sua meta baseada na ciência (Science Based Target) para emissões operacionais, reduzindo as emissões de Escopo 1 e 2 em quase 54% desde 2015.